top of page

Jalapão, o caminho das águas

Atualizado: 9 de nov. de 2020



Jalapão 📷snowfabiana19

No centro do Brasil, no estado do Tocantins, se esconde um verdadeiro tesouro conhecido como deserto das águas: vários oásis com águas límpidas e cristalinas que surgem em meio à aridez da vegetação rasteira, que compõe o cerrado brasileiro com seus campos, veredas e a imensidão de suas areias e terras.


Fervedouro Buriti📷snowfabiana19

As águas, que são de uma beleza que transpõem os olhos e encantam a alma, brotam mornas, transparentes, às vezes de tons verde-mar, verde-esmeralda, outras de um azul-piscina. Elas surgem em meio ao cerrado e suas areias que vão dos tons terrosos ao branco, ao rosa, vermelho, amarelo. As águas se misturam numa harmoniosa paleta de cores em dégradé com a vegetação de um extremo verde brilhante das bananeiras e samambaias, e com a altivez dos buritizais. Elas surgem em forma ora de cachoeiras ora de lagoas e principalmente como nascentes de águas conhecidas na região como fervedouros, em razão das bolhas de ar que movimentam constantemente a areia e as águas e que fazem as pessoas não afundarem, pelo contrário, fazendo-as flutuarem como se estivessem nas nuvens.


Fervedouro Bela Vista📷snowfabiana19
Flor da Jalapa. http://minhasfotosdeaves.blogspot.com/

Como proteção desses pequenos paraísos, e das mais diversas comunidades de quilombolas que vivem em toda essa região, em 12 de janeiro de 2001, foi criado o Parque Estadual do Jalapão, cujo nome decorre da planta Jalapa–do-Brasil, que é endêmica e possui uma linda flor rosa, magenta, e é de uso medicinal pelos que habitam o cerrado brasileiro.

Restaurante da Ass. Com. do Prata. Emerson Silva


Artesanato em Capim Dourado. Thiago Sá

As comunidades quilombolas que vivem no parque são compostas de diversas etnias e se beneficiam do turismo na região com a comercialização de serviços turísticos que compreendem desde taxas de acesso às atrações naturais, pequenos restaurantes e principalmente da venda de produtos artesanais confeccionados com o capim dourado. Ele é colhido apenas no período de 20 de setembro a 20 de novembro, e é reconhecido como o ouro do Jalapão, em razão da sua cor dourada e por se tratar de uma riqueza natural que só existe nos campos úmidos das veredas dessa região. Com ele é confeccionado desde joias, potes, vasos, mandalas, a utensílios de decoração em cozinha como porta-guardanapos, pratos, entre outros.


Estrada do Jalapão.📷snowfabiana19

Para conhecer esse tesouro brasileiro — que se distribui em uma área de 158.970,95 hectares pelos municípios de Ponte Alta do Tocantins, Mateiros, São Félix do Tocantins, Lizarda, Rio Sono, Novo Acordo, Santa Tereza do Tocantins, Lagoa do Tocantins e Rio da Conceição e visitar as suas principais atrações naturais, é necessário abrir a mente, desconectar-se, expandir a alma e se aventurar pelas estradas de terra e areia em veículos 4 x 4, sempre acompanhado de um guia local, numa aventura off road que sai de Palmas e percorre, em quatro dias, em torno de 1.200 km de pura emoção pelo parque.




Jalapão.📷snowfabiana19

Como em um verdadeiro rally pelo cerrado, os turistas vivenciam dias inesquecíveis e de uma viagem sem igual por esse belíssimo segundo maior bioma da América do Sul, finalizando-o com muitas experiências, sensações e histórias para contar, que serão para sempre guardadas em seus corações e suas memórias.

Estrada da Serra.📷snowfabiana19

Partindo da planejada capital, Palmas, a aventura para o Jalapão se inicia em estradas asfaltadas até Ponte Alta do Tocantins, conhecida como Portal do Jalapão, local do primeiro pernoite. Nesse primeiro trajeto, a sensação é de que saímos de uma região de planície e estamos subindo a serra em razão da altitude de localização do parque.





Pedra Furada.📷snowfabiana19
Pedra Furada. 📷snowfabiana19
Restaurante da Minervina. 📷snowfabiana19

Como atrações nesse início de passeio, é possível se encantar com a beleza das cores da Pedra Furada, saborear um frango caipira no Restaurante da Dona Minervina e contemplar a magnífica Lagoa do Japonês, que embora não esteja compreendida no Jalapão, pois integra a Estação Ecológica da Serra Geral do Tocantins, compensa a visita pois suas águas vão de um verde-esmeralda a um azul-turquesa na parte das suas grutas que nos lembram os cenotes mexicanos.

📷snowfabiana19

Aos que se aventuram a nadar no lago, recomenda-se o uso de sapatilhas em razão das pedras e serão agraciados com a surpresa de receber mordidinhas do famoso "Doutor-Peixe" que gratuitamente faz a terapia da limpeza das células mortas dos banhistas. É interessante observar que essa prática terapêutica é mundialmente famosa, sendo muito comum na Tailândia.